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Elan M100 - Topics - The Lotus Forums Jump to content


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Boa noite,

Deixo esta mensagem por estar interessado num Lotus Elan de 91. Gostaria de saber que cuidados em particular a ter com estes carros, o que devo ter mais em conta e "rasteiras" que possam aparecer.

Obrigado,

João Abreu

Edited by citroentrd
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Caro João Abreu,

Antes de mais bem vindo ao Forum! Se tiver um minuto passe pelo tópico Apresentações e deixe umas linhas sobre si.

Quanto ao assunto Elan M100, o nosso guru dos Elan, o Fernando Aguiar, virá concerteza em breve "falar" consigo

Obrigado!

Rui Pedro Coelho

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Guia de Compra para o Lotus Elan M100

Resumo histórico:

O Lotus Elan M100 é um automóvel raro, do qual foram construídas à mão 3855 unidades entre Novembro de 1989 e Julho de 1992.

Destes, 126 são a primeira versão (com motor atmosférico) e os restantes são a versão turbo (SE – Special Equipment) dos quais 559 unidades foram vendidas nos Estados Unidos da América.

Entre Junho de 1994 e Setembro de 1995 foram construídas 800 unidades da versão S2 para aproveitar igual número do extraordinário motor construído pela Isuzu (Japão) e profundamente modificado e preparado pela Lotus que havia sobrado da primeira série.

Foi ainda construída pela Kia Motors, sob licença, entre 1996 e 1999 a versão Lotus Kia, com motor próprio, para o mercado Coreano.

O Elan M100 está equipado com o motor Isuzu-Lotus 1.6 Turbo DOHC 16 válvulas cuja excelente construção, fiabilidade e durabilidade fazem dele um motor muito resistente.

À data do seu lançamento o Elan M100 era um automóvel de luxo, revolucionário, exclusivo e muito caro, em Portugal custava cerca de € 50.000,00. Teve que enfrentar a crise económica e petrolífera que na altura afectava todos os mercados e a concorrência do Mazda MX5 que custava cerca € 20.000,00, o que o tornou num super-desportivo condenado à nascensa ao fracasso comercial.

De qualquer forma, o Elan M100 foi um super-desportivo à frente do seu tempo, com prestações impressionantes para a época e entrou para a História do Automóvel como um dos melhores automóveis de sempre em curva sendo ainda hoje uma referência nesta área por mérito próprio.

Dados Técnicos:

Motor: 4 cilindros em linha; montado transversalmente; com um diâmetro x curso de 80,00x79,00 mm; 1588 cc; 165 cv/6600 rpm; potência específica 103,9 cv/l; binário máximo 200 Nm/4200 rpm; 4 válvulas por cilindro com comando hidráulico; 2 veios de excêntricos à cabeça; ignição electrónica Delco; injecção electrónica multipontos Rochester; sobrealimentação por turbocompressor IHI arrefecido por água com permutador ar/ar.

Transmissão: Transmissão dianteira; caixa manual de 5 velocidades; embraiagem monodisco a seco.

Direcção: Cremalheira assistida; diâmetro do volante 360 mm; 2,9 voltas extremo a extremo; diâmetro de viragem médio 10,66 m.

Suspensão: Frente – triângulos sobrepostos desiguais; braôs elásticos; barra anti-rolamento; molas helicoidais; amortecedores hidráulicos telescópicos concêntricos. Trás – Triângulo inferior de base larga; tirante superior; braôs elásticos; molas helicoidais; amortecedores hidráulicos telescópicos concêntricos.

Travões: 4 discos; ventilados na frente; dois circuitos hidráulicos diagonais e independentes; servo-freio.

Dimensões: Distância entre eixos 2250 mm; vias 1486 mm F/T; comprimento 3803 mm; largura 1885 mm; altura 1230 mm com capota.

Pesos: peso 1200 Kg; repartição de pesos F/T 673/357 Kg (66/34 %); volume da bagageira 185 l; capacidade do depósito de gasolina 46,4 l.

Pneus e Jantes: 205/50 ZR 15 Michelin MXX 2; O.Z. Route em liga leve 6 ½ J15.

Prestações: velocidade máxima 220 km/h; aceleração 0-100 km/h 6,5 s.

Consumos: (90/120/U) 6,7/8,9/10,8 l/100 km.

Comprar um Lotus Elan M100:

Ao decidir comprar um Elan M100 pode desde logo ter a certeza de que estará a adquirir um super-desportivo raro por um baixo preço, com prestações absolutamente fabulosas, fiável, intemporal e com uma manutenção de baixo custo. O Lotus Elan M100 será sempre um automóvel muito belo e garantidamente um Clássico já constando na lista do Automóvel Clube de Portugal como Futuro Clássico.

O problema que se coloca é conseguir encontrar um encontrar um em estado original, bem mantido e estimado.

Guia de Compra:

Começo por esclarecer que este guia foi elaborado com recurso a vários textos, publicações e livros bem como à minha experiência própria mas que não fazem dele um trabalho exclusivamente meu.

Antes de tudo, em termos de aspecto geral exterior, convém relembrar que o Elan M100 tem a carroçaria em fibra de vidro e kevlar pelo que, não fará sentido perder tempo à procura de corrosão ou amolgadelas, bastando verificar correcto alinhamento e distanciamento de todos os painéis e o estado geral da pintura.

Todos os carros desportivos puros são rápidos e o Elan M100 não é excepção. Assim será normal que existam picadas e danos na pintura provocados por embates de pequenas pedras a alta velocidade. Existem no mercado internacional sticks de retoque originais Lotus para as cores originais do Elan M100 que são amarelo, azul, branco, prateado, verde, vermelho e preto.

A Frente:

Começando pela frente o carro, verificar se na parte debaixo do para-choques frontal se encontra de um lado ao outro uma faixa de borracha. O seu estado revelará se o carro bateu frequentemente em lancis, pedras, buracos, lombas, etc.

Acima desta borracha encontra-se a parte inferior do para-choques onde estão localizadas 3 entrada de ar de refrigeração para o motor separadas por 2 barras verticais. Caso tenha ocorrido algum impacto com lancis de passeios ou outros objectos estas poderão estar partidas e, sendo o para-choques frontal uma única peça, a sua reparação poderá revelar-se bastante onerosa pois relembro que não poderá ser efectuada por um chapeiro.

Na parte debaixo do para-choques frontal e a toda a sua largura existe uma protecção em plástico preto que resguarda os radiadores. O seu estado será revelador das eventuais pancadas sofridas na parte debaixo do motor. Na parte de cima deste resguardo também deve ser verificada a presença de sinais de líquido de refrigeração indicadoras de fugas no radiador ou nas tubagens do circuito de refrigeração.

Na zona inferior da frente há que verificar a longarina central do chassis. É uma barra plana de alumínio que atravessa a parte inferior do carro em sentido longitudinal desde o para-choques frontal, passando por baixo do motor até às rodas da frente. Esta longarina tem um autocolante “DO NOT JACK” a alertar que o carro não pode ser elevado por apoio nesta peça. O seu estado poderá revelar empenos no chassis.

Ainda na parte inferior da frente há que verificar se os braços da suspensão e da direcção não apresentam sinais de corrosão.

No pára-choques da frente também se encontram os farolins das luzes de presença e dos piscas. Note-se que os farolins devem apresentar os piscas do lado de dentro e os mínimos do lado de fora. A sua troca poderá indicar que a frente do carro já foi desmontada.

Na parte superior da frente deverão ser verificados os alinhamentos e distancias do capot, guarda-lamas, para-choques e faróis escamoteáveis. Desalinhamentos e distâncias estranhos poderão ser reveladores de danos. Poderá acontecer que a parte posterior dos guarda-lamas e a aparte anterior das portas se toquem ao abrir. É uma das típicas características com que os Lotus gostam de nos brindar mas facilmente reparável com alguns ajustamentos simples.

Quanto às rodas da frente, há que ter em atenção que o Elan M100 foi lançado com jantes de 15” especificamente desenvolvidas pela O.Z. Wheels para este modelo. A falta destas reduz consideravelmente o valor do carro e embora existam à venda no mercado internacional o seu custo é elevado. O estado geral das jantes poderá revelar eventuais empenos bem como possíveis danos nas suspensões, direcção, etc.

A Michelin desenvolveu os pneus MXX2 205/50 ZR 15 especificamente para o Elan M100. Não é expectável que estes ainda se encontrem montados mas alguns dos donos originais guardam-nos para efeitos de concursos/exposições. De qualquer forma o estado dos pneus deverá sempre ser verificado e é um bom indicador do equilíbrio do carro, do alinhamento da direcção e do modo de como o carro é conduzido. Também deverá ser confirmado que todos os pneus são iguais.

Passando os dedos pelo bordo exterior dos discos dos travões da frente poderá ser aferido o estado destes através da diferença que existir entre a altura do disco e a do bordo. A substituição dos discos de travões da frente não é cara. Relembro que esta inspecção só pode ser efectuada antes do carro rolar ou seja, com os travões frios, sob pena de sofrer queimaduras graves.

A Traseira:

Passando para a parte de trás, nos carros mais antigos é natural que a panela de escape e até o colector já tenham sido substituídos pois os originais apresentavam problemas de corrosão precoce. Nos carros mais recentes a panela é em aço inoxidável pelo que não deverá apresentar sinais de corrosão ou danos de pancadas. Relembro que esta inspecção só pode ser efectuada com o carro frio sob pena de sofrer queimaduras graves.

Nas rodas de trás o procedimento deverá exactamente o mesmo que nas rodas dianteiras. A excepção é que a substituição dos discos de travões de trás é consideravelmente mais cara do que os da frente.

É de salientar que o número de chassis no Elan M100 se encontra gravado no apoio da suspensão traseira do lado direito, visível por cima da respectiva roda.

A tampa da bagageira, que também inclui a asa traseira deve estar perfeitamente alinhada e equidistante dos painéis circundantes. Esta abre-se utilizando a mesma simples e pequena chave metálica com que se abrem as portas e deve manter-se na posição aberta sem qualquer apoio. O seu interior é iluminado, totalmente alcatifado e tem um alçapão onde se encontra uma roda suplente de emergência, um elevador de manivela, a chave de rodas e uma pequena mala de ferramentas que vem de origem na cava do lado esquerdo.

Na parte de trás encontram-se as tampas dos farolins traseiros que sendo peças frágeis também devem ser verificadas.

Os farolins traseiros são cobertos com um acrílico e, nos modelos mais antigos, a matrícula também. Neste caso, deve-se verificar se os dispersores das luzes da matrícula não se encontram derretidos por sobre-aquecimento (outro brinde da Lotus). Os farolins devem estar transparentes e há que verificar se estão estalados ou partidos pois são peças difíceis de encontrar à venda e muito caras.

O pára-choques traseiro tem a toda a largura da parte inferior, ao nível da ponteira do escape, uma abertura para a dissipação do fluxo de ar inferior que é coberta com uma rede preta. Se esta rede estiver pintada à cor do carro pode ser um sinal de uma eventual reparação. O pára-choques traseiro prolonga-se pela parte inferior do carro e nesta zona não se encontra pintado. No entanto deve verificar-se se está inteiro.

Um dos grandes problemas do Elan M100 são os triângulos da suspensão traseira, pois têm tendência para sofrer de corrosão acentuada. O seu estado poderá indicar se o carro é mantido em garagem e, uma vez que é um problema crónico, conhecido e divulgado pela Lotus, pode indicar o nível de cuidado a que o carro foi sujeito.

Verificar de forma correcta o estado dos triângulos da suspensão traseira implica aplicar algumas marteladas nos braços das rodas. Se o som produzido não for metálico mas sim um som baixo e abafado podem existir problemas de corrosão cuja solução é onerosa.

A Capota:

A capota original do Elan M100 é em lona preta com o óculo traseiro em acrílico transparente e padece de dois problemas crónicos de origem, todas metem água e todas acabam por ter 2 furos provocados por desgaste.

Os cantos de trás da parte superior da capota são forçados pela estrutura metálica sempre que esta é aberta ou fechada o que, com o tempo e com a utilização acaba por desgastar a lona que,mais tarde ou mais cedo acaba por ceder. Como este problema se revelou crónico, a Lotus recomendou que fosse colocado um reforço pelo interior nessas zonas. Caso o proprietário não tenha feito essa operação e a capota tenha furado, a reparação pede ser facilmente efectuada pela simples colocação dos ditos reforços mas, neste caso, no interior e no exterior.

O óculo traseiro deverá estar transparente e sem riscos. Se estiver amarelado e opaco terá de ser substituído o que constitui uma reparação cara.

No lado interior da capota passam longitudinalmente 2 elásticos largos que unem as barras transversais da armação. Estes podem encontrar-se em avançado estado de degradação, tendo perdido total ou parcialmente a sua elasticidade mas podem ser facilmente substituídos.

À volta de toda a capota encontram-se borrachas de neopreno que fazem o isolamento entre o topo do pára-brisas, a parte superior e traseira das janelas e a tampa do compartimento da capota.

A parte de trás da capota deve assentar perfeitamente na tampa do compartimento desta, caso tal não se verifique os cabos de tensão poderão estar partidos ou ter de ser afinados.

As borrachas deverão encontra-se em bom estado e é espectável que nas junções entre elas, nos cantos do pára-brisas e a meio das janelas, deixem entrar alguns pingos de água quando o carro se desloca à chuva ou durante lavagens à pressão. Não vale a pena tentar solucionar este problema pois será gasto muito dinheiro para continuar a ver pingar. Sai muito mais barato ter uma toalha à mão.

As borrachas para substituição na capota existem no mercado internacional mas são muito caras.

As patilhas de fecho dos engates da capota ao arção do pára-brisas devem estar em bom estado e permitir uma junção firme e estanque entre ambos, caso contrário entrará água e surgirão ruídos de vento que se agravam com a velocidade.

A capota deve recolher sem resistência e dobrar-se naturalmente sobre si mesma em 4 partes para dentro do seu compartimento. Este é aberto através de uma pega em “T” que existe na ombreira da porta do passageiro no pilar B (ombreira posterior das portas). Ao fechar a tampa, esta pressiona a capota para o interior do compartimento de deve trancar os 2 fechos de que dispõe.

É de notar que quando se recolhe a capota o topo dos pilares B (ombreira posterior das portas) fica tapado por uma tampa que que por sua vez é trancada com a tampa do compartimento da capota. Esta tampa é accionado por uma mola e sobe acompanhando a capota quando esta é fechada. Estas tampas, não sendo fundamentais, são difíceis de obter e de montar.

Na tampa do compartimento da capota pode ser verificado o estado da pintura comparando a zona que fica no interior da capota quando esta se encontra fechada com a zona exterior.

Todo o interior do compartimento da capota é alcatifado e por baixo do revestimento inferior, do lado direito, encontra-se a bateria. Esta não deve apresentar sinais de corrosão nos bornes nem em redor do seu compartimento. As baterias são um componente fácil de substituir mas caro.

O Motor:

O motor Isuzu-Lotus 1.6 Turbo DOHC 16 válvulas é à prova de bala. De tal forma que muitos proprietários não resistiram à tentação de o alterar ao ponto de existirem Elans M100 com mais de 360 cavalos de potência.

O capot abre-se puxando uma alavanca que se encontra no lado do condutor na parte de baixo do lado esquerdo do tablier. O capot do Elan M100 tem um varão de suporte que encaixa na frente do compartimento do motor. Na parte inferior do capot deve existir uma camada isoladora de som e temperatura, formada por duas peças separadas, de poliuretano preto que deve estar em perfeitas condições.

O motor do Elan M100 é muito limpo pelo que, um aspecto sujo de óleo ou outros fluídos pode indiciar um carro mal mantido.

É importante verificar se a junta da cabeça do motor e a junta do carter se encontram babadas. Sendo normal pequenos sinais de óleo nalguns locais como à volta das juntas de algum sensor, já sinais de corrimento até à parte inferior do motor podem ser preocupantes e representar reparações caras.

Deve desenroscar-se a tampa do óleo do motor e verificar se no seu interior se encontra um resíduo com um aspecto de creme amarelado. A sua presença pode significar que a junta da cabeça do motor está danificada.

Normalmente o óleo do motor de um Elan M100 é limpo pelo que a inspecção da vareta do nível de óleo não deve revelar um óleo muito escuro ou opaco. Se tal suceder é possível que a manutenção não tenha sido convenientemente realizada nem os parâmetros das revisões cumpridos. A presença de micro-gotas de água na vareta também pode ser indicadora de danos na junta da cabeça do motor.

Da mesma forma, é importante verificar se existem sinais de fuga de líquido de refrigeração nas junções do tubos do circuito de refrigeração, principalmente na junção do termostato e nas conexões do radiador.

O fluído dos travões no respectivo reservatório deve ter um aspecto limpo e translucido. Caso se encontre negro significa que foi utilizado para além das suas especificações, tendo queimado, o que pode significar que foi o carro foi utilizado em condução desportiva sem preocupação com a devida manutenção dos seus sistemas.

O cabo do acelerador corre no interior de uma camisa metálica que por sua vez é revestida por uma película de plástico preto. Esta película pode apresentar um aspecto degradado, com falhas, cortes, etc. sem que tal signifique qualquer tipo de problema resultando apenas em algo com mau aspecto cuja solução passa apenas por retirar os restos do dito revestimento.

Como este motor permite muitas alterações, é normal encontrar carros com válvulas de escape, admissões directas, controladores manuais de pressão do turbo, etc. Tudo isto pode ter sido efectuado por profissionais e especialistas ou por curiosos e sucateiros pelo que, é fundamental conhecer o historial do carro.

No interior do compartimento do motor, por trás de cada grupo óptico existe uma longarina do chassis que, caso o carro tenha sofrido impactos frontais, apresentará sinais de ter sido recuperada.

Pela sua simplicidade, um dos melhores indicadores que permite verificar se o carro já sofreu acidentes, nomeadamente embates frontais, é a placa de identificação do automóvel e do chassis. Na realidade não é uma placa, mas sim um autocolante de papel com um plástico por cima que se encontra colado na parte superior do pára-choques da frente à direita do fecho do capot. Se estiver em falta, for uma cópia ou estiver com aspecto de já ter sido descolado, é provável que o carro já tenha sofrido uma reparação e/ou haja sido pintado.

Quando colocado a funcionar, o motor do Elan M100 não deve apresentar ruídos estranhos nem um trabalhar irregular e é natural que inicie o arranque a uma rotação mais elevada que ao fim de cerca de 1 minuto regressa à rotação de ralenti.

É normal o som das válvulas a bater pois uma vez que são de accionamento hidráulico fazem-se ouvir até que a pressão no circuito de óleo aumente pelo que, ao fim de alguns minutos devem deixar de se ouvir. A partir daí o motor do Elan M100 deve trabalhar como um relógio suíço.

Com o motor a funcionar mas ainda frio o manómetro da pressão do óleo do motor deve indicar cerca de 5 bar. Depois do motor aquecer essa pressão deverá descer para cerca de 3,5 bar. Em aceleração a pressão do óleo deve ser cerca de 5 bar às 3.000 rotações por minuto.

O voltímetro deve situar-se nos 14 volts subindo para os 16 volts em aceleração.

O manómetro da pressão do turbo deve indicar pressão zero, subindo até à pressão criada consoante a aceleração induzida ao motor.

O manómetro da temperatura deverá subir até aos 110º C (traço 3) sendo então accionada a ventoinha do sistema de refrigeração fazendo descer a temperatura para os 90º C (traço 1) altura em que a ventoinha é desligada. Em deslocação a temperatura normal de funcionamento são os 90º C.

O funcionamento do motor deve ser verificado conduzindo o carro com a capota fechada pois facilita a detecção de ruídos estranhos.

Com o carro parado a caixa de velocidade de funcionar de forma precisa, sem folgas e emitir um som metálico em todas as mudanças de relação. Em condução a caixa de velocidades deve permitir passagens suaves e directas tanto nas subidas como nas descidas de relação. A existência de resistência nas passagens de caixa pode indiciar problemas cuja a reparação será sempre muito onerosa.

Com o motor quente e estabilizado a cerca de 3.000 rotações por minuto, acelerando de forma rápida e elevada, deve verificar-se se o escape não está a deixar um rasto de fumo branco o que a ocorrer, poderá indicar problemas nos vedantes do óleo do turbo. As reparações no turbo são sempre bastante caras.

Nota importante: Após uma utilização intensa do turbo, o que sucede sempre em condução desportiva, o motor não deve ser desligado de imediato pois a circulação de óleo no turbo deixa de se realizar durante a sua refrigeração e arrefecimento, o que reduz significativamente a vida útil deste e poderá provocar mesmo a sua total avaria.

A direcção do Elan M100 é assistida e progressiva, ficando mais pesada com a velocidade. É muito directa e precisa, sem qualquer folga e transmite totalmente o comportamento do carro ao condutor. Quando rodada a baixa velocidade, como por exemplo a estacionar, pode emitir um ranger agudo e no limite do seu curso emite um silvo que é perfeitamente natural.

O Interior:

As portas do Elan M100 abrem-se com a mesma pequena e simples chave metálica com que se abre a bagageira, sendo a abertura e o fecho das portas centralizados.

Os estofos do Elan M100 são revestidos com a famosa pele Connolly que, embora sendo considerada a melhor do mundo, exige cuidados de manutenção tais como a limpeza, hidratação e protecção. Assim, a forma de como os assentos foram mantidos é bastante evidente. É possível que o fundo dos assentos, principalmente o do condutor por ser mais utilizado, apresente um aspecto excessivamente ondulado. Este problema surge por alguns dos clips em “C” que esticam a pele por baixo do assento estarem soltos pelo que a sua resolução é muito simples.

No encosto de cabeça existe gravado em baixo relevo o nome Lotus. Em virtude da pela ser muito macia é natural que este símbolo se encontre muito esbatido.

Os estofos do Elan M100 SE vem decorados com faixas vermelhas ou amarelas, dependendo da cor da carroçaria, 1 nos painéis laterais interiores das portas, 1 nos encostos e 1 nos assentos dos bancos. Originalmente estas cores são muito vivas e é natural que apresentem um aspecto baço e sujo mas, desde que estejam boas, não é difícil recuperar as cores originais. No entanto há que ter cuidado com os produtos utilizados pois são cores sensíveis e que podem debotar facilmente.

Todo o chão do Elan M100 é alcatifado e vem originalmente revestido com tapetes de felpo grosso. Caso se encontrem demasiado usados existem casas no mercado nacional que os fabricam nos modelos originais.

O painel inferior interior das portas vem alcatifado com o mesmo material que o chão do carro.

O tablier e a consola central não devem apresentar riscos, manchas ou outros estragos e deve ser verificada a existência de todos os botões e interruptores.

A versão turbo (SE) caracteriza-se pela existência de um relógio digital no tablier. É perfeitamente natural que as horas não estejam e certas e é mais do que garantido que por muito que se acertem o relógio tenha vontade própria na escolha do fuso horário (mais uma pérola dos Lotus).

Todos os parafusos do tablier encontram-se tapados com tampas de borracha na mesma cor deste e é natural que a parte lateral que envolve o painel central do tablier apresente alguma folga.

O porta-luvas possui abertura com fechadura funcionando com chave própria.

Com o sistema eléctrico activado deve ser verificado o funcionamento dos limpa pára-brisas, dos comandos dos espelhos exteriores e dos seus desembaciadores. As janelas devem descer sem esforço e subir sem esforço até às borrachas dos pilares A (pilares onde estão assentes as laterais do pára-brisas) onde farão algum esforço até fechar completamente. Embora sejam reparáveis representam sempre intervenções bastante caras.

Deve ser verificado o funcionamento da ventilação, a quente e a frio, em todos modos possíveis. Sendo um extra apenas colocado de fábrica como opção, existem alguns Elans M100 com ar condicionado cujo funcionamento deve ser devidamente verificado. A sua reparação é sempre muito cara.

Durante o test drive deve ser verificado o bom funcionamento de todos os manómetros, indicadores, luzes, etc.. A iluminação do painel de instrumentos e do interior do habitáculo deve ser verificada no escuro, como num parque de estacionamento subterrâneo.

É de salientar que a iluminação do habitáculo se encontra na parte inferior do espelho retrovisor bem como os respectivos interruptores. As luzes interiores só devem desligar cerca de um minuto depois de as postas terem sido fechadas.

É importante verificar o bom funcionamento dos grupos ópticos escamoteáveis. Estes devem levantar de forma rápida, contínua e simultânea. O seu mau funcionamento indica que os motores dos grupos ópticos terão de ser reparados. Embora seja uma reparação barata é difícil de realizar.

Note-se que os faróis escamoteáveis também emitem sinais de luzes quando se encontram recolhidos (durante o dia) bastando para tal accionar o respectivo comando no manípulo das luzes.

Uma última dica, a portinhola da tampa do depósito de combustível abre-se puxando uma pega em "T" que existe que existe na ombreira da porta do passageiro no pilar B (ombreira posterior das portas).

Documentos:

Toda a documentação legal do veículo deve ser verificada e composta por documentos originais. Nunca se deverá aceitar a apresentação da cópia de qualquer documento.

O carro deve possuir todos os manuais originais sendo estes o Manual do Utilizador que contém o livro de revisões, a Garantia Anti-Corrosão e o Manual do Auto-Rádio que originalmente é um Panasonic digital com leitor de cassetes e equalizador.

Todo o histórico de um automóvel com o pedigree como o que os Lotus possuem é sempre uma mais valia e representa um valor acrescentado para quem vende e uma garantia para quem compra. Assim, é cada vez mais comum encontrar proprietários que mantêm os documentos referentes a todas as intervenções, reparações, manutenção, inspecções, etc. tais como facturas, comprovativos, declarações, fotografias e outros.

É de notar que os kilometros indicados no odometro podem ser confirmados pelos sucessivos certificados de inspecção periódica o que, por si só, é uma excelente justificação para os manter.

Finalmente não esquecer que o Elan M100 vem de fábrica com 2 chaves de ignição, 2 chaves de portas e bagageira e 2 chaves do porta-luvas.

Também existia a possibilidade colocar no Elan M100 um alarme como extra. Assim, caso o carro esteja equipado com este acessório também deverão existir 2 comandos do alarme e duas chaves deste.

O Lotus Elan M100 proporcionará ao seu proprietário momentos únicos e inesquecíveis de pura felicidade que apenas ao volante de um Lotus se pode sentir.

A primeira vez que se conduz um ficará guardada na memória para toda a vida.

Espero que este guia de compra possa ajudar.

Cumprimentos,

Fernando Aguiar

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É por estas e por outras que eu acho que somos um clube diferente...

Quem poderá ter dúvidas depois disto?!

Excelente, Fernando. As Allways!

Rui Pedro Coelho

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Bom dia,

Realmente nunca tive uma resposta deste género. Agradeço o esforço e atenção. No Sábado vou ver um que está à venda, mas o preço parece-me baixo, não sei ao certo qual o valor destes carros, mas depois vou dando novidades.

Mais uma vez um muito obrigado.

João Abreu

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Boa tarde,

No Sábado lá fui ver o M100, mas fiquei um pouco desiludido. Para além do vendedor não querer dar qualquer indicação do anterior dono para perceber um pouco o historial do carro, este tinha uma batida de frente, pois o pára-choques estava desalinhado e para alegrar a festa, com 36000 kms, nunca tinha feito uma revisão na Lotus, apenas tinha feito mudanças de óleo na oficina da esquina. Enfim, fica para uma próxima.

Abraços,

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Boa tarde,

No Sábado lá fui ver o M100, mas fiquei um pouco desiludido. Para além do vendedor não querer dar qualquer indicação do anterior dono para perceber um pouco o historial do carro, este tinha uma batida de frente, pois o pára-choques estava desalinhado e para alegrar a festa, com 36000 kms, nunca tinha feito uma revisão na Lotus, apenas tinha feito mudanças de óleo na oficina da esquina. Enfim, fica para uma próxima.

Abraços,

O que importa é arranjar uma unidade bem mantida, nem que se tenha de gastar um pouco mais, e que nunca tenha tido um acidente

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João,

A história das revisões é fácil de perceber pois na altura dos M100 a representação da marca era reduzida e não creio que houvesse grandes diferenças de procedimentos entre a então Lotus e outra oficina. Desde que os intervalos de manutenção fossem garantidos (nada como ver os registos), em 36.000kms não haveria grandes intervenções a fazer. Nos 30.000kms que tem deveria ter feito um serviço A aos 10K, um B aos 20K e novamente um A aos 30K. Abaixo poderá ver que não há grandes intervenções e muitas são esquecidas pelos ditos "representantes oficiais"

A SERVICE

Lubrication

Renew engine oil

Renew engine oil filter

Inspect engine/trans for leaks

Check PAS fluid level

Engine

Check coolant level and anti-freeze concentration

Inspect fuel pipes and connections with engine running

Brakes

Check brake fluid level

Inspect hoses and pipes

Inspect brake pad thickness

Check parking brake adjustment

Inspect operations of brake tell tales

Clutch

Check operation and cable adjustment

Steering and Suspension

Check security of front and rear suspension

Inspect condition of driveshaft gaiters

Wheels and Tyres

Inspect condition and set pressures

Check wheel nut torque

Electrical

Inspect operation of all lights

Check headlamp alignment

Inspect operation of all electrical equipment

Body

Inspect operation of CDL system

Inspect operation and condition of seat belts

Top up screenwash reservoir

B SERVICE

Lubrication

Renew engine oil

Renew engine oil filter

Inspect engine/trans for oil leaks

Check PAS fluid level

Engine

Check coolant level and anti-freeze concentration

Check cooling system hoses and connections at pressure

Inspect radiator, oil cooler, chargecooler and pipework for

damage or leaks. Clean all radiator finning

Check CO level (cars without catalyst)

Inspect fuel pipes and connections with engine running

Inspect exhaust system & connections, with engine running

Brakes

Renew brake fluid

Inspect brake hoses and pipes

Inspect brake pad thickness

Check parking brake adjustment

Inspect operations of brake tell tales

Clutch

Check operation and cable adjustment

Steering and Suspension

Check security of steering column u/j clamps

Inspect PAS pipes and hoses

Inspect steering ball joints and gaiters

Inspect condition of all suspension bushes

Check security of front and rear suspension

Inspect dampers for leaks and performance

Inspect front wheel bearings for play

Check rear wheel bearings

Inspect front and rear wheel geometry

Inspect condition of driveshaft gaiters

Wheels and Tyres

Inspect condition and set pressures

Check wheel nut torque

Electrical

Inspect battery hydrometer (built in)

Check battery terminals for security and condition

Inspect operation of all lights

Check headlamp alignment

Inspect operation of all electrical equipment

Body

Check adjustment of all latches and hinges

Inspect operation of CDL system

Inspect operation and condition of seat belts

Inspect operation of heating/air conditioning

Top up screenwash reservoir

Chassis

Inspect polyester coating for damage

Agora, confirmando-se a batida, isso é outra história...

Rui Pedro Coelho

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GRANDE Fernando Aguiar!

Guia completíssimo!!! Fiquei tolo!!! :detective:

Excelente. Já copiei e guardei em Word aqui no computador para o caso de ser o Elan o meu escolhido. Quando for ver uns vou levar este papel atrás... :unworthy:

Grande trabalho, parabéns!

Concordo, a primeira vez que se conduz um M100 é única e não me esqueço da minha (também não esqueço a do Speedster 2.2 mas isso é de outro tópico lol). Quando eu pensava que às 6000 estava a puxar demasiado o proprietário meteu-me a mão na caixa e só deixou tirar a terceira bem lá em cima, já nas 7 e tal. A aceleração suberba foi o que mais me marcou. E atente que não se tratava de um Elan mexido mas sim absolutamente original.

Abraço

Edited by FilipeMAtias
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